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Passou da hora de adotar medidas corajosas para tirar o país da recessão

18/10/2016

benjamin steinbruch
Há boas e más notícias pipocando a toda hora na economia brasileira. Uma, excelente, foi a inflação oficial de setembro : 0,08%. Ou seja, estávamos no mês passado com inflação zero, praticamente. Em São Paulo, segundo levantamento da Fipe, o índice de preços ao consumidor teve até índice negativo de 0,14%, uma deflação, algo raro no país.
Boa também é a informação de que vai melhorando a confiança do consumidor: subiu mais 1,1% no mês passado, segundo indicador da CNI. Caiu ainda o endividamento das famílias, o que sinaliza para uma possibilidade de melhoria no consum
Uma notícia péssima foi dada pelo IBGE, sobre o comportamento do setor industrial em agosto. Depois de cinco meses de crescimento moderado, a indústria tomou um tombo de 3,8%, mais uma vez por conta do desempenho negativo na produção de veículos.
Notícias seguidamente ruins saíram sobre as contas públicas, com o déficit se aprofundando mês a mês em razão da queda de atividade econômica e atingindo R$ 71 bilhões de janeiro a agosto. A pior de todas refere-se à atividade econômica como um todo. O mais recente indicador publicado, o IBC-Br, feito pelo BC e que representa uma espécie de antecipador do PIB, mostrou que a economia teve uma queda de produção de 5,6% em doze meses até julho.
Na política, qualquer que seja a matiz do analista, é preciso reconhecer que começa a ficar para traz o momento mais crítico. Os partidos da base do governo tiveram uma vitória indiscutível no primeiro turno das eleições municipais e os riscos de rompimento institucional praticamente desapareceram.
Chegamos, então, ao ponto que pretendo defender. Um governo que saiu da eleição com um razoável apoio popular e que está prestes a aprovar no Congresso um projeto que inclui na Constituição a austeridade fiscal por 20 anos não pode esperar mais nada para adotar uma agenda de crescimento econômico.
Já passou da hora de, em paralelo com ao ajuste das contas públicas, implementar medidas corajosas para tirar o país da recessão. Cito a mais importante de todas, que é a responsabilidade monetária. Não é correto, para dizer o mínimo, que o país continue com uma taxa básica de juros de 14,25% num momento como este, em que há uma recessão de 5,6% em doze meses e uma inflação beirando a zero.
Talvez por falta de coragem para afrontar o mercado financeiro, a irresponsabilidade monetária tem hoje um custo próximo de R$ 200 bilhões ao ano, valor pago a mais pelo governo nas suas captações de recursos devido a uma taxa básica de juros fora do lugar, muitos pontos acima do nível civilizado. É provável que amanhã a Selic seja reduzida para 14% ou para 13,75%: nada.
Agenda de crescimento é coisa séria. Não se pode ter a ilusão de que o aumento da produção e do emprego será uma decorrência natural do ajuste fiscal.
É preciso atuar de forma efetiva para melhorar a produtividade da economia, estimular os investimentos, principalmente em infraestrutura, fomentar a inovação, abrir caminhos para exportação, oferecer refinanciamento e novos créditos para famílias endividadas.
Consumir não é pecado. Tomar e oferecer crédito, também não. É por aí que as economias crescem e que surgem os empregos. A população deu um voto de confiança ao governo na eleição, mas é preciso corresponder à expectativa embutida nessa manifestação. E não é preciso fazer pesquisa alguma para saber o que o brasileiro mais deseja neste momento: emprego e renda.

Fonte-Folha Sp

clj


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