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Fim da recessão chega à indústria, dizem analistas

02/11/2017


A produção industrial brasileira teve alta pelo quinto mês consecutivo. Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, divulgada nesta quarta-feira (1), mostrou que em setembro a produção da indústria teve alta de 2,6% em relação a igual período do ano passado.
Após início de ano errático, com altas seguidas de quedas até abril, a indústria passou a uma trajetória de altas seguidas. Na comparação de setembro com agosto, a alta foi de 0,2%. Em nove meses deste ano, apenas dois apresentaram variação negativa na comparação com o mês imediatamente anterior.
Também em setembro o país registrou marcas significativas que levaram analistas a falar em fim da recessão na indústria. A alta da produção no acumulado em 12 meses foi de 0,4%, o que encerrou ciclo de 39 meses de quedas consecutivas. A última alta nessa base acumulada havia sido em maio de 2014.
RECUPERAÇÃO
Apesar da melhora, o país está longe de recuperar as perdas nos últimos três anos. Enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) só sentiu os efeitos da crise em 2015 e 2016, a indústria já vinha em queda desde 2014.
O nível da produção atual, de acordo com o IBGE, está equivalente de 2008.
Para efeito de comparação, a indústria teve quedas de 3%, 8,3%, 6,4% em 2014, 2015 e 2016, respectivamente. Nos nove primeiros meses deste ano, a alta é de 1,6%. A previsão da LCA Consultores é de alta de 2% neste ano.
"Digamos que descemos dez degraus nos últimos três anos e estamos subindo um. É uma melhora, que tecnicamente tira a indústria da recessão, mas não recupera perdas", disse Everton Carneiro, analista da RC.
De acordo com o economista Rodrigo Nishida, da LCA, a indústria entrou nos últimos cinco meses em "trajetória mais firme de recuperação". Ele também advoga a tese de que a recessão no setor está no retrovisor.
Nishida explica que a melhora da indústria, muito concentrada no início do ano em setores voltados para as exportações, começa a dar sinais mais forte de recuperação no mercado interno.
É o caso da indústria automotiva, que aproveitou a valorização do dólar em razão da crise para vender carretas, caminhões e veículos principalmente a mercados na América Latina no início do ano. Agora, as vendas diretas no Brasil estão se recuperando, ainda que lentamente.
Na comparação de setembro com igual período do ano passado, a produção de automóveis teve alta de 26,4%, o que impulsionou a produção de bens de consumo duráveis (alta de 16,2%).
Os bens de capital também tiveram alta, de 5,7%. O grupamento é considerado um termômetro dos investimentos por ser composto por máquinas destinadas à produção. Na outra ponta, a construção civil continua a amargar perdas (-0,3%). "É uma recuperação lenta e gradual", afirmou André Macedo, técnico da Coordenação da Indústria do IBGE.


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